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Empresas poupam R$ 500 mil com softwares locais

Jornal da Paraíba - 14/12/2008
Por: Rodrigo Apolinário

PARA BARATEAR - Em Campina Grande, a Light Infocon desenvolve programas para órgãos públicos

Raphael Simões de Andrade - Analista da Light Infocon
Expandindo os horizontes entre o real e o virtual, softwares produzidos na Paraíba estão sendo utilizados por empresas de matrizes paraibanas e garantindo economia de até R$ 500 mil por ano. Segundo informações do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/PB), a competição acirrada entre os principais fornecedores, a evolução dos produtos e as melhorias que eles geram com a eficiência dos resultados, fazem com que os preços não parem de diminuir e empresas consigam lucros cada vez mais altos.

É o que confirma Ricardo Carvalho, gerente de uma loja de eletroeletrônicos, cuja matriz é situada na BR-230, município de Cabedelo, Litoral paraibano, têm filial na Rua João Pessoa, em Campina Grande, bem como em mais cerca de 140 lojas espalhadas por todos os Estados do Nordeste. Segundo ele, “as lojas estão utilizando tecnologia 100% paraibana no processo de contratos de cartões de crédito e em apenas dois anos foi possível economizar cerca de R$ 1 milhão, o equivalente a R$ 500 mil por ano”, destacou.

Para o gerente, a tecnologia mudou a realidade das lojas e dos resultados. “O software que utilizamos em toda a rede do Nordeste é paraibano e com certeza a informatização da empresa contribui para o grande sucesso dela. Há 20 anos tínhamos uma realidade totalmente diferente, muitos papéis e perda de tempo. A tecnologia está trabalhando a nosso favor e não tem como mais viver sem ela. Para se ter uma idéia, antes nós passávamos até dois minutos para deferir a liberação de um cartão de crédito e hoje esse processo não dura mais que dez segundos, o que é um imenso ganho de tempo, na hora de fazer um negócio”, ressaltou.

Os clientes sentem lucros no bolso. “Devido à facilidade no processo de deferimento do cartão de crédito, a empresa deixou de ter determinadas despesas como taxas de administração cobradas pelas administradoras de cartão de crédito, o que resulta em ganhos que conseguimos repassar para os nossos clientes, como a diminuição de taxas de juros”, destacou o gerente.

Outro caminho é o vivenciado por uma gráfica, cuja matriz é situada no Distrito Industrial de João Pessoa, e possui filiais em mais sete Estados das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do país. Ela produz o próprio software, de acordo com as necessidades da empresa. Segundo o coordenador de tecnologia da informação (TI) da gráfica, Eduardo Figueiredo Júnior, a iniciativa de produzir o próprio software iniciou em 2000. “Há oito anos que começamos a produzir os nossos próprios softwares. O mais importante que temos hoje, como resultado de nossa produção, é o de gestão orçamentária, que calcula os orçamentos e encaminha ordens de serviço para dentro da produção”. Conforme ele, a iniciativa gera uma economia de cerca de R$ 360 mil por ano. “Incluindo as nossas economias com pessoal, tempo e possíveis aluguéis de softwares de gestão, que exigiriam pagamentos de concessões de uso, além de gastos com adaptações às necessidades específicas da gráfica, nós economizamos cerca de R$ 30 mil por mês, o equivalente a cerca de R$ 360 mil por ano”, destacou.


Produtos melhoram qualidade do serviço

INFORMATICA - Empresas que atuam em CG fazem programas para supermercados e até para o Detran

Quem também vem gostando dos resultados do seu negócio, é o gerente administrativo da empresa de software, Mais Soft localizada na rua Corálio Soares de Oliveira, centro de João Pessoa, Flávio Okamura. Ele disse que a empresa atende o mercado paraibano e hoje já produz softwares para redes de supermercados, lojas de móveis e hospitais. “A aceitação dos nossos produtos é muito boa, porque eles conseguem melhorar bastante a qualidade do trabalho nas empresas. Para se ter uma idéia, nós temos apenas dez meses de mercado e já produzimos softwares de varejo para três redes de supermercados que estão presentes em toda a Paraíba, além de uma loja de móveis e um hospital”, ressaltou.

Em Campina Grande, quem também produz softwares é a Light Infocon, situada no bairro de Bodocongó, que há 25 anos desenvolve produtos de tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) na cidade. Conforme o seu diretor, Alexandre Moura, os softwares produzidos por ela estão melhorando o cotidiano de órgão públicos. “Nós desenvolvemos softwares chamados ‘Goldendoc’ e ‘Goldentrack’ que estão sendo utilizado pelo Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba (Detran/PB). Uma de suas principais aplicações é a gestão do pagamento de diárias, o que está gerando economia, porque produz uma gestão melhor dos gastos, observando onde estão ocorrendo desperdícios”, ressaltou.

É o que confirma o gerente de informática do órgão, João Eduardo Melo. Segundo ele, “os softwares foram implantados no ano de 2003 e de lá para cá já foram construídos cerca de 60 programinhas administrativos que ajudam vários setores do Detran. Para se ter uma idéia, hoje todo o nosso protocolo geral está em ‘Goldendoc’, inclusive disponibilizando a consulta de qualquer processo administrativo via internet. Com isso nós vamos eliminando papéis, e diminuindo custos”, frisou. O órgão não divulgou o valor dos gastos reduzidos.


Chave para negócio ‘sadio’ é a informática

De acordo com a gestora do Projeto Farol Digital, gerido pelo Sebrae/PB, que promove o acompanhamento de empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) na Paraíba, Danyele Santana, os softwares de gestão empresarial despontam no mercado. “Os diversos setores da economia investiram em softwares de gestão empresarial, que organizam as informações do estabelecimento, tornando o negócio muito mais dinâmico, ágil e com um controle mais efetivo e seguro da administração de estoques, finanças, custos, fluxo e caixa, etc”, apontou. A tecnologia é necessária. “No século XXI, a utilização desses sistemas deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar questão de sobrevivência. Os empreendedores já perceberam que informatizar a empresa é chave para um negócio mais ágil e ‘sadio’”, ressaltou.

É preciso desmistificar a idéia de que tecnologia é caro. “Isto deixou de ser verdade há muito tempo. A competição acirrada entre os principais fornecedores e a evolução dos produtos faz com que os preços não parem de diminuir na Paraíba. É possível encontrar PCs (computador completo) na casa dos 1,2 mil reais e um sistema adequado ao pequeno negocio por até 2 mil, o que há dois anos atrás custavam cerca de R$ 2 mil e R$ 4 mil, respectivamente, uma redução de quase metade do preço. E o melhor é perceber que se a tecnologia está trazendo benefícios para o seu negócio e sendo usada plenamente, o retorno sobre o investimento compensará os investimentos”, destacou a gestora do Farol Digital.

A Paraíba é destaque no país. “O nosso Estado está entre os sete pólos de TIC do país ao lado de Santa Catarina, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, segundo um recente estudo do Ministério de Ciência e Tecnologia. Isso é devido à uma notável e reconhecida formação de talentos em TIC, Universidades renomadas mundialmente e um grande crescimento de empresas de base tecnológica. A Paraíba tem despontado como um estado inovador, criativo e muito competitivo no mercado global”, frisou Danyele.

Ela lembrou que a Paraíba produz softwares para as mais diversas áreas. “Os softwares mais comercializados sem dúvida são de gestão empresarial, que servem para controle de estoque, contas a pagar e receber, além de cadastro de clientes, mas as empresas paraibanas têm soluções inovadoras para a indústria, setor bancário, hospitais, aeroportos, polícia federal, presídios, etc”, disse.

Para Danyele, a Paraíba se mostra como um espaço em potencial. “Seria fácil imaginar que essas empresas fabricassem calçados, música, bebidas ou derivados de caprinos. Quem assim pensa, não está enganado. A Paraíba produz tudo isso sim. Entretanto, o estado também desenvolve produtos de Tecnologia da Informação que conquista clientes em todas as partes do mundo. Alguns softwares e hardwares ‘made in Paraíba’ já ultrapassam as fronteiras do país e alcançam mercados importantes como os dos Estados Unidos, Espanha, Portugal, além de vários países da África”, frisou.

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