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Porto Digital concorre com a Paraíba

Jornal do Comercio - 22/07/2007


Campina Grande é referência na formação de capital humano. Já o Porto Digital tem marca consolidada, juro zero, sinergia e mais negócios
(Por Ines Andrade)


O crescimento do parque tecnológico de Campina Grande (PB) pode torná-lo concorrente direto do Porto Digital do Recife na captação de empresas de tecnologia da informação (TI). Mas o Porto Digital prefere falar em parceria em vez de concorrência para atender a expansão exponencial do setor de TI. “Existe hoje uma necessidade de integração para gerar valor para os dois lados. Se não estivermos integrados nos próximos dois anos, faltará gente para ocupar postos de trabalho, faltará estrutura para pesquisa e desenvolvimento”, entende Valério Veloso, diretor-presidente do Núcleo de Gestão do Porto Digital. Na lógica defendida por Veloso, é preciso atuar conjuntamente e não dividir os recursos que chegam ao Nordeste. “Temos que cooperar para compartilhar recursos”.

Há duas semanas, o parque de Campina Grande, cidade situada a 130 quilômetros de João Pessoa, virou notícia nacional com a divulgação de uma tornozeleira eletrônica para monitoramento dos presos em regime semi-aberto, desenvolvida pela Insiel. Mas o pólo paraibano foi criado em 1984, sendo um dos primeiros do País. Campina Grande é referência na formação de capital humano e sai na frente do Recife quando o assunto é software livre (que permite a qualquer um usar, distribuir e copiar). Por isso, é visto como cidade de grande potencial de crescimento para entidades como o Instituto Nokia de Desenvolvimento Tecnológico (INdT). O curso de computação da Universidade Federal de Campina Grande tem parceria de grande monta (no mínimo R$ 500 mil) com até 12 empresas, que estruturam as disciplinas disponíveis na grade curricular de modo a satisfazer suas demandas no desenvolvimento de capital humano.

Sandro Alves, gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios do INdT, ressalta que grandes empresas têm apresentado ganhos interessantes com o software livre, mas o INdT não consegue firmar parceria com as universidades de Pernambuco para essa área, ao contrário do que acontece em Campina Grande. “A dificuldade de Campina Grande é que eles não estão sabendo se vender ainda, mas têm excelente qualidade na formação de mão-de-obra e uma das melhores políticas industriais para o setor”, avalia Alves.

Alexandre Moura, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Campina Grande e diretor da Light Infocon, ressalta o relacionamento mantido entre empresas e universidades na cidade paraibana e destaca o apoio que o setor recebe. A firma que quer entrar no pólo passa primeiro pela Fundação Parque Tecnológico da Paraíba, sede da Incubadora Tecnológica de Campina Grande, e se estabelece já estruturada. Por esse processo, é possível analisar as deficiências e vantagens da empresa para que ela possa maximizar os seus resultados. O governo estadual e o municipal concedem os incentivos apontados como necessários para as empresas. “Os empresários dizem o prédio, terreno, os incentivos para treinar mão-de-obra, a energia elétrica e sempre são atendidos”.

Ângelo Perkusich, professor do Centro de Engenharia Elétrica e Informática da Universidade Federal de Campina Grande, entende que o Porto Digital e o de Campina Grande têm focos de atividades diferentes. Segundo Perkusich, Recife é referência em software corporativo, jogos eletrônicos. “Em Campina, o vetor mais forte é no desenvolvimento de aplicações para dispositivos móveis, como celular e tablets (PC ultra mobile), mais no contexto da mobilidade”.

Perkusich avalia que Campina atende à demanda para aplicações que ainda não são fortes no mercado nacional, mas com grande potencial dentro de dois a três anos.

Valério Veloso entende que Campina é um pólo fértil de capital humano, mas não tem o ambiente do Porto. As empresas de lá não estão próximas ao mercado, tem de exportar. “Aqui temos financiamento a juros zero, sinergia, mais negócios, capacidade de participar de redes de capital humano, marca consolidada, um plano de desenvolvimento seguro”. Valério acredita que sistemas em software livre são uma tendência de negócio ainda difusa. “Não podemos decretar que os melhores negócios estão em software livre”. Valença diz ainda que a competência de Pernambuco está estabelecida e o Estado poderá se voltar para qualquer área que traga resultado. “Nosso negócio é orientado pelo fluxo de caixa”.

 
 
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